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Um Método Perigoso


David Cronenberg, diretor de Um Método Perigoso, começou com thrillers de terror como Scanners (1981)Videodrome (1983) e A Mosca (1986) e depois mergulhou de cabeça em projetos bem alternativos como Mistérios e Paixões (1991). Nos últimos anos parecia bastante interessado em retratar e analisar a violência na América (ou seja, os Estados Unidos, porque Cronenberg é canadense), em filmes onde atingiu sua maturidade como diretor (Uma História de Violência - melhor filme pela Associação dos Críticos Americanos em 2005 - e Senhores do Crime-2007), deixando de lado os excessos de seus primeiros filmes. Este Método Perigoso foi recebido sem entusiasmo pela crítica, que achou o filme fraco se comparado com seus 2 últimos trabalhos. Além disso, embora unanimemente elogiadas as performances de Viggo Mortensen como Freud (3º filme que faz com o diretor) e Michael Fassbender como Jung, a interpretação de Keira dividiu opiniões. Alguns acharam exagerada nos tiques nervosos (um "overacting", como se diz em inglês), outros acharam corajosa. 


O trailer do filme faz questão de enfatizar cenas de sexo, para vendê-lo comercialmente, mas quem tiver esta expectativa em relação ao filme vai ficar decepcionado. Embora roteiristas e diretor tenham tomado todas as liberdades possíveis a partir do que historicamente se sabe entre a amizade Freud e Jung e o relacionamento desse com sua paciente Sabina Spielrein (Keira Knightley), o filme realmente é até bem-comportado e feito num formato de narrativa bem clássico, apoiado nos diálogos e interpretações.


Um Método Perigoso está muito acima da média de tudo que é feito atualmente no cinema. E se, realmente, neste filme Cronenberg não impôs um estilo pessoal à narrativa, isto não pode ser de forma alguma analisado como um defeito. Se este é seu filme "fraco", um cinéfilo como eu se daria por satisfeito em ter mais chance de ver filmes fracos assim. No boca-a-boca, Método Perigoso acabou conquistando um público realmente interessado em ver filmes como esse, que fogem do trivial que é jogado a cada semana nos cinemas, alcançando perto de 300.000 espectadores no Brasil e quase U$ 30 milhões em todo o mundo - uma excelente marca hoje em dia para filmes que vão além de efeitos especiais.

Curiosidade: a mesma história já foi retratada antes no cinema, no filme italiano Jornada da Alma, de 2003.

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