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De Repente, 30

Os novos clássicos, produzidos em 1982, foram muito marcados pela música. Trilhas sonoras marcantes, originalmente produzidas para eles ou não, ficaram tão ou mais famosas que os filmes em que foram utilizadas. Um musical (Vitor ou Vitória?), uma ópera-rock (Pink Floyd - The Wall), 2 trilhas populares (E.T. e Blade Runner) confirmam isso.

E.T. O EXTRATERRESTRE (E.T. - The Extraterrestrial). Para quem hoje tem entre 30 e 40 anos, este provavelmente foi o filme de sua infância. Foi o filme mais visto da década (e uma das maiores bilheterias de todos os tempos), mas embora considerado para crianças, agradou muito marmanjo. Lançou Drew Barrymore - hoje, além de atriz, é também produtora e diretora - a única criança do elenco que emplacou uma carreira após o filme. A sequencia do voo da bicicleta é o ponto alto do filme, que inclusive virou o logotipo da produtora Amblin, de Steven Spielberg.

BLADE RUNNER. Embora tenha sido um fracasso em sua estréia, este filme noir de ficção científica foi aos poucos conquistando uma legião de fãs. Várias reestreias depois e novas versões do diretor, esse cult acabou agradando, tendo sido incluído na lista da revista Time como um dos 100 melhores filmes de todos os tempos. Ridley Scott foi além de uma simples aventura de ficção científica - que é o que parece que o grande público queria - com temas como a mortalidade e o destino do homem como indivíduo e seu futuro no planeta. A soberba e nada óbvia trilha sonora de Vangelis - jazz para embalar um policial futurista - além de um excelente trabalho de ambientação e inovadores efeitos visuais resultou numa produção caprichada, que ainda resiste ao tempo.


FANNY & ALEXANDER. (Fanny och Alexander).  Talvez o mais acessível filme de Bergmann, que não escondeu que o filme tem muito de autobiográfico, é praticamente uma celebração da vida, da família, da infância, do amor e do sexo - algo inusitado em seus filmes até então. Com uma produção caprichadíssima, recebeu 4 Oscars - além de filme estrangeiro, fotografia, direção de arte e figurino - o terceiro para Bergmann e o segundo para seu fotógrafo Sven Nykvist. 



VITOR OU VITÓRIA ? (Victor/Victoria).  O melhor musical em anos, o filme é mais uma comédia recheada com números musicais, refilmagem de uma desconhecida e antiga produção alemã.  Marcou um retorno triunfal do diretor Blake Edwards (da série Pantera Cor-de-Rosa) e da atriz Julie Andrews (de Noviça Rebelde).  O imbroglio da trama - uma mulher que se faz passar por um homem que se faz passar por uma mulher - tinha uma similaridade com Tootsie, lançado no mesmo ano, o que fez muitos se perguntarem se tinha havido vazamento de projetos pelos estúdios concorrentes. Tootsie levou a melhor na bilheteria, e teve o apoio da crítica que via nele mais conteúdo, mas Vítor ou Vitória ? revelou-se um clássico instantâneo, com excelente trilha de Henry Mancini - vencedora do Oscar naquele ano.


PINK FLOYD - THE WALL.  Roger Waters  revelou que ao lançar o projeto do álbum The Wall, já o havia idealizado como um filme, que foi lançado somente 2 anos depois do disco. Outras experiências de filmes ópera-rock foram feitas na década de ´70 - como Tommy, do The Who - mas nenhuma foi tão bem sucedida como esta produção do experiente Alan Parker (O Expresso da Meia-Noite, Fama), que contou com a inestimável colaboração no visual do designer Gerald Scarfe. Poucas vezes no cinema, música e imagem tiveram um casamento tão visceral.

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