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Clássicos 50 Anos Depois

            Box em Blu-ray comemorativo aos 50 anos do filme

     Este ano vários filmes famosos completam 50 anos de idade. Como acontece com os vinhos, muitos filmes (se não azedarem com o tempo) se tornam ainda melhores a cada ano que passa. 

Omar Sharif e Peter O´Toole em cena do filme
LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia). Este foi "o" filme de 1962, o mais visto, mais premiado e mais comentado filme daquele ano. Lawrence tem uma qualidade que é ao mesmo tempo uma espécie de limitação para sua apreciação hoje em dia: foi feito para ser assistido em toda sua grandiosidade na tela grande do cinema - muito de seu impacto se perde na telinha da TV. Na verdade, os cinemas o exibiam no formato 70mm (o dobro do formato 35mm conhecido de todos). Fortemente influenciado por John Ford, o diretor David Lean abusa dos planos abertos, mostrando a pequenez (em ambos os sentidos, no caso) e a fragilidade do homem frente à majestade da natureza - ainda mais em se tratando do deserto do Saara. Na década de ´80 descobriu-se que as cópias originais do filme estavam quase definitivamente perdidas. O esforço conjunto de admiradores famosos - Spielberg e Scorsese - conseguiram restaurá-lo em todo o esplendor de suas cores. O susto que essa ação corrosiva do tempo perpetrava nos celulóides chegou a influenciar vários diretores a experimentarem o preto & branco (David Lynch, Scorsese, Coppola, Woody Allen).  Spielberg calculou que se realizado hoje, Lawrence custaria mais de 200 milhões de dólares, tamanha a quantidade de figurantes, cenários, locações e tempo empregado na sua realização. Alguns críticos dizem que a excelência da narrativa torna Lawrence comparável às grandes obras literárias. O filme, que tem em seus papéis somente personagens masculinas e revelou Peter O´Toole (no melhor papel de sua ainda iniciante carreira) e Omar Sharif, tem a presença dos astros da época Alec Guinness, Anthony Quinn, José Ferrer, Claude Rains e Arthur Kennedy. Na última enquete promovida pela revista Sound & Sight realizada em 2002 para escolher os melhores filmes de todos os tempos, Lawrence da Arábia ficou em 4º lugar , na escolha dos diretores.

Gloria Menezes e Leonardo Villar
O PAGADOR DE PROMESSAS.  Baseado na famosa peça de teatro de Dias Gomes, este singelo filme brasileiro conquistou as platéias do mundo em 1962. Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi a primeira indicação brasileira ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Por muitos e muitos anos, para o espectador médio americano e europeu Pagador era o filme brasileiro por excelência. O exotismo das locações, a história de fundo religioso e o jeito brasileiro de fazer cinema encantaram o mundo , numa época em que o Brasil estava na moda, muito devido à música bossa-nova. A história já foi muitas vezes levada aos palcos e virou minissérie da TV Globo, mas a produção caprichada, o momento histórico em que foi feito e o elenco fizeram do filme sua versão definitiva.

Outros clássicos que completam 50 anos:

VIVER A VIDA
SOB O DOMÍNIO DO MAL
O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE ?
   



Drive



   Drive chegou às locadoras precedido por predicados. Foi um dos filmes mais baixados na internet nos últimos anos, foi considerado o melhor filme do ano pela revista Rolling Stones e também pelos internautas do Metacritic (site sobre cinema, música, TV e jogos), além de ter recebido um cobiçado prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 2011, e frequentado várias listas de críticos de cinema como um dos melhores filmes de 2011. Mas tenho a opinião de que Drive logo, logo será visto como um dos filmes mais superestimados dos últimos anos. 
   O filme é tipicamente "moderno", no mau sentido. Se a partir da década de ´70 o sexo passou a ser visto com naturalidade nos filmes, e desde então, qualquer filme mais comercial que precise se vender em algum momento da trama terá a indispensável cena de sexo - mesmo que totalmente desnecessária ou deslocada, a partir dos anos 2000 a violência passou a ser um elemento de atrativo de público. Infindáveis continuações de filmes como Jogos Mortais comprovam isso. O público-médio que frequenta os cinemas atualmente se deleita e quer cenas de violência, cada vez mais realistas e chocantes - cenas de tortura física incluídas. Cineastas como Tarantino criaram fama pela estilização da violência presente em seus filmes. Ou seja, a violência tão presente nos dias de hoje, que se imaginaria pudesse ser repelida pelo público, que sempre encara o cinema como um saudável escapismo das agruras da vida, de tal forma se enraizou na vida moderna das sociedades contemporâneas, principalmente capitalistas, e mais ainda nas de Terceiro Mundo, que, ao contrário, é desejado e até exigido como elemento de "diversão". 

Ryan Gosling e Albert Brooks em cena de Drive
    É claro que sabemos que existe esse tipo de gente retratada no filme, frequentadores do chamado submundo dos negócios escusos, e apresentar a violência praticada por eles não seria gratuito no filme. No entanto, há um prazer sádico em mostrar cabeças explodindo por balas em câmera lenta, ou pessoas tendo o crânio esmagado a ponta-pés. Imaginar que isso fará a alegria das plateias - como parece calculado nos filmes de Tarantino, por exemplo - demonstra que a sociedade ocidental atual está realmente muito doente. Confesso que não sou grande fã de filmes românticos açucarados, e gosto muito de alguns filmes que podem ser considerados até bem violentos, mas a presença da violência pode ou não ser mostrada em raio-X. Dias desses revi Onde os Fracos Não tem Vez, e me chamou a atenção - algo que eu já havia esquecido - como a maioria dos assassinatos praticados pelo personagem de Javier Bardem não é na verdade mostrada, mas só presumida. Ai está a diferença. 
     Fora isso, Drive não possui construção de personagens, mesmo que Ryan Gosling componha bem um personagem pra lá de misterioso, com seu jeito caladão. Mas , por exemplo, Irene - interpretada por Carey Mulligan - é irritantemente apagada. Nem mesmo a interpretação elogiada e até premiada de Albert Brooks me impressionou. Drive tem um início promissor e original, mas se perde ao longo do tempo o interesse inicial. E acaba sendo mais um filme violento "estiloso", onde o que mais se destaca é sua excelente trilha sonora. 

     

Cinema Verde-Amarelo



Hoje, 19 de junho é marcado como o Dia do Cinema Brasileiro. Para muitos brasileiros, filme nacional ainda é sinônimo de sexo, palavrões e miséria, ou ainda, filmes pretensiosos pseudo-intelectuais, uma herança deixada pela produção das décadas de ´70 e ´80. Após o quase desaparecimento da produção nacional na década de ´90, aconteceu o que se chama a "retomada" do cinema brasileiro nos anos ´2000. Com o surgimento de co-produções com grandes estúdios estrangeiros e , ainda,  com a criação da Globo Filmes, o cinema nacional deu um salto em qualidade técnica, e - parece - conquistou definitivamente uma boa parcela de público. Só para se ter uma ideia, na década de ´90 apenas 2 filmes tiveram mais que 2 milhões de espectadores nos cinemas. De 2000 a 2009 , 29 produções superaram esse número, sendo que Se eu Fosse Você 2 e 2 Filhos de Francisco ultrapassaram os 5 milhões de espectadores. Tropa de Elite 2, lançado em outubro de 2010 teve mais de 11 milhões de espectadores, passando ao posto de filme nacional mais visto até hoje.  Abaixo uma seleção de filmes nacionais recentes que contrariam a noção do trinômio "sexo-palavrões-miséria", escolhidos para demonstrar a diversidade do cinema verde-amarelo.

ABRIL DESPEDAÇADO (2001)  O filme foi responsável por chamar a atenção de Hollywood sobre Rodrigo Santoro. Extremamente elogiado no exterior, onde ganhou diversos prêmios, foi muito pouco visto no Brasil. Na verdade, uma co-produção Brasil-França-Suiça, dirigido por Walter Salles. Baseado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadare, teve a ação transportada para o sertão nordestino.





CHICO XAVIER (2010). Comandado pelo experiente diretor de novelas Daniel Filho, da Globo, o filme agradou mesmo aos não-simpatizantes do espiritismo, tendo sido visto por mais de 3 milhões de espectadores. 3 atores diferentes interpretam Chico Xavier, em fases diferentes de sua vida, com destaque para Nelson Xavier, com caracterização impecável.






O HOMEM QUE COPIAVA (2003). Com roteiro e direção do gaúcho Jorge Furtado, foi filmado quase inteiramente em Porto Alegre, mas com elenco principal do centro do país, o que explica certos sotaques forçados ou a ausência deles, único problema talvez apontado pelos conterrâneos neste filme leve e divertido que mistura suspense, ação, comédia e drama na medida certa.






MEU NOME NÃO É JOHNNY (2008). Baseado no livro de mesmo nome, de Guilherme Fiuza, conta a história verídica de um traficante de classe média da zona sul do Rio. Grande sucesso no cinema quando do seu lançamento.








O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006). Dirigido por Cao Hamburger, por anos responsável pelo programa Castelo Rá-Tin-Bum, da TVE. Mostra o período da ditadura militar no Brasil do ponto de vista de uma criança. Também é interessante por retratar uma comunidade judaica de São Paulo, algo inédito no cinema nacional. Quase ficou entre os 5 finalistas ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro (foi pré-selecionado entre os 9 mais votados).





OLGA (2004). Também contando com produção da Globo, incluindo a direção de Jayme Monjardim, responsável por várias mini-séries da emissora, surpreendeu nas bilheterias (mais de 3 milhões de espectadores), caindo no gosto do público. Camila Morgado teve o papel da sua vida como Olga Prestes. A produção caprichada, visitou  na Alemanha localidades frequentadas por Olga , incluindo um campo de concentração, que mais tarde foram recriados em estúdio no Brasil.





OLHOS AZUIS (2010). Protagonizado pelo ator de TV americano David Rasche  (Vôo United 93, Queime Antes de Ler, e o seriado da década de ´80 "Na Mira do Tira") , a história de sua personagem começa na seção de imigração do aeroporto JFK, em Nova York, e acaba levando-o ao Brasil.







O OUTRO LADO DA RUA (2004). Apesar de terem atuado juntos diversas vezes no teatro é o único encontro no cinema de Raul Cortez e Fernanda Montenegro. Misto de drama e thriller de suspense, foi a estréia na direção de Marcos Bernstein.







O PALHAÇO (2011). Um dos filmes brasileiros mais vistos em 2011. Produção impecável (trilha, fotografia), para contar uma história simples e singela. É o segundo longa-metragem dirigido pelo ator Selton Mello.








e
VIPS (2010). Embora pareça uma "versão brasileira" de Prenda-me se for Capaz, com Leonardo DiCaprio, a personagem retratada é real. Wagner Moura tem nesse filme talvez a sua melhor interpretação no cinema, dando veracidade e nuances à sua caracterização como "Carrara".