Drive chegou às locadoras precedido por predicados. Foi um dos filmes mais baixados na internet nos últimos anos, foi considerado o melhor filme do ano pela revista Rolling Stones e também pelos internautas do Metacritic (site sobre cinema, música, TV e jogos), além de ter recebido um cobiçado prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 2011, e frequentado várias listas de críticos de cinema como um dos melhores filmes de 2011. Mas tenho a opinião de que Drive logo, logo será visto como um dos filmes mais superestimados dos últimos anos.
O filme é tipicamente "moderno", no mau sentido. Se a partir da década de ´70 o sexo passou a ser visto com naturalidade nos filmes, e desde então, qualquer filme mais comercial que precise se vender em algum momento da trama terá a indispensável cena de sexo - mesmo que totalmente desnecessária ou deslocada, a partir dos anos 2000 a violência passou a ser um elemento de atrativo de público. Infindáveis continuações de filmes como Jogos Mortais comprovam isso. O público-médio que frequenta os cinemas atualmente se deleita e quer cenas de violência, cada vez mais realistas e chocantes - cenas de tortura física incluídas. Cineastas como Tarantino criaram fama pela estilização da violência presente em seus filmes. Ou seja, a violência tão presente nos dias de hoje, que se imaginaria pudesse ser repelida pelo público, que sempre encara o cinema como um saudável escapismo das agruras da vida, de tal forma se enraizou na vida moderna das sociedades contemporâneas, principalmente capitalistas, e mais ainda nas de Terceiro Mundo, que, ao contrário, é desejado e até exigido como elemento de "diversão".
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| Ryan Gosling e Albert Brooks em cena de Drive |
É claro que sabemos que existe esse tipo de gente retratada no filme, frequentadores do chamado submundo dos negócios escusos, e apresentar a violência praticada por eles não seria gratuito no filme. No entanto, há um prazer sádico em mostrar cabeças explodindo por balas em câmera lenta, ou pessoas tendo o crânio esmagado a ponta-pés. Imaginar que isso fará a alegria das plateias - como parece calculado nos filmes de Tarantino, por exemplo - demonstra que a sociedade ocidental atual está realmente muito doente. Confesso que não sou grande fã de filmes românticos açucarados, e gosto muito de alguns filmes que podem ser considerados até bem violentos, mas a presença da violência pode ou não ser mostrada em raio-X. Dias desses revi Onde os Fracos Não tem Vez, e me chamou a atenção - algo que eu já havia esquecido - como a maioria dos assassinatos praticados pelo personagem de Javier Bardem não é na verdade mostrada, mas só presumida. Ai está a diferença.
Fora isso, Drive não possui construção de personagens, mesmo que Ryan Gosling componha bem um personagem pra lá de misterioso, com seu jeito caladão. Mas , por exemplo, Irene - interpretada por Carey Mulligan - é irritantemente apagada. Nem mesmo a interpretação elogiada e até premiada de Albert Brooks me impressionou. Drive tem um início promissor e original, mas se perde ao longo do tempo o interesse inicial. E acaba sendo mais um filme violento "estiloso", onde o que mais se destaca é sua excelente trilha sonora.


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