Páginas

Páginas

Cinema Verde-Amarelo



Hoje, 19 de junho é marcado como o Dia do Cinema Brasileiro. Para muitos brasileiros, filme nacional ainda é sinônimo de sexo, palavrões e miséria, ou ainda, filmes pretensiosos pseudo-intelectuais, uma herança deixada pela produção das décadas de ´70 e ´80. Após o quase desaparecimento da produção nacional na década de ´90, aconteceu o que se chama a "retomada" do cinema brasileiro nos anos ´2000. Com o surgimento de co-produções com grandes estúdios estrangeiros e , ainda,  com a criação da Globo Filmes, o cinema nacional deu um salto em qualidade técnica, e - parece - conquistou definitivamente uma boa parcela de público. Só para se ter uma ideia, na década de ´90 apenas 2 filmes tiveram mais que 2 milhões de espectadores nos cinemas. De 2000 a 2009 , 29 produções superaram esse número, sendo que Se eu Fosse Você 2 e 2 Filhos de Francisco ultrapassaram os 5 milhões de espectadores. Tropa de Elite 2, lançado em outubro de 2010 teve mais de 11 milhões de espectadores, passando ao posto de filme nacional mais visto até hoje.  Abaixo uma seleção de filmes nacionais recentes que contrariam a noção do trinômio "sexo-palavrões-miséria", escolhidos para demonstrar a diversidade do cinema verde-amarelo.

ABRIL DESPEDAÇADO (2001)  O filme foi responsável por chamar a atenção de Hollywood sobre Rodrigo Santoro. Extremamente elogiado no exterior, onde ganhou diversos prêmios, foi muito pouco visto no Brasil. Na verdade, uma co-produção Brasil-França-Suiça, dirigido por Walter Salles. Baseado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadare, teve a ação transportada para o sertão nordestino.





CHICO XAVIER (2010). Comandado pelo experiente diretor de novelas Daniel Filho, da Globo, o filme agradou mesmo aos não-simpatizantes do espiritismo, tendo sido visto por mais de 3 milhões de espectadores. 3 atores diferentes interpretam Chico Xavier, em fases diferentes de sua vida, com destaque para Nelson Xavier, com caracterização impecável.






O HOMEM QUE COPIAVA (2003). Com roteiro e direção do gaúcho Jorge Furtado, foi filmado quase inteiramente em Porto Alegre, mas com elenco principal do centro do país, o que explica certos sotaques forçados ou a ausência deles, único problema talvez apontado pelos conterrâneos neste filme leve e divertido que mistura suspense, ação, comédia e drama na medida certa.






MEU NOME NÃO É JOHNNY (2008). Baseado no livro de mesmo nome, de Guilherme Fiuza, conta a história verídica de um traficante de classe média da zona sul do Rio. Grande sucesso no cinema quando do seu lançamento.








O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006). Dirigido por Cao Hamburger, por anos responsável pelo programa Castelo Rá-Tin-Bum, da TVE. Mostra o período da ditadura militar no Brasil do ponto de vista de uma criança. Também é interessante por retratar uma comunidade judaica de São Paulo, algo inédito no cinema nacional. Quase ficou entre os 5 finalistas ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro (foi pré-selecionado entre os 9 mais votados).





OLGA (2004). Também contando com produção da Globo, incluindo a direção de Jayme Monjardim, responsável por várias mini-séries da emissora, surpreendeu nas bilheterias (mais de 3 milhões de espectadores), caindo no gosto do público. Camila Morgado teve o papel da sua vida como Olga Prestes. A produção caprichada, visitou  na Alemanha localidades frequentadas por Olga , incluindo um campo de concentração, que mais tarde foram recriados em estúdio no Brasil.





OLHOS AZUIS (2010). Protagonizado pelo ator de TV americano David Rasche  (Vôo United 93, Queime Antes de Ler, e o seriado da década de ´80 "Na Mira do Tira") , a história de sua personagem começa na seção de imigração do aeroporto JFK, em Nova York, e acaba levando-o ao Brasil.







O OUTRO LADO DA RUA (2004). Apesar de terem atuado juntos diversas vezes no teatro é o único encontro no cinema de Raul Cortez e Fernanda Montenegro. Misto de drama e thriller de suspense, foi a estréia na direção de Marcos Bernstein.







O PALHAÇO (2011). Um dos filmes brasileiros mais vistos em 2011. Produção impecável (trilha, fotografia), para contar uma história simples e singela. É o segundo longa-metragem dirigido pelo ator Selton Mello.








e
VIPS (2010). Embora pareça uma "versão brasileira" de Prenda-me se for Capaz, com Leonardo DiCaprio, a personagem retratada é real. Wagner Moura tem nesse filme talvez a sua melhor interpretação no cinema, dando veracidade e nuances à sua caracterização como "Carrara". 

Nenhum comentário:

Postar um comentário