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Cinema Des-Animado


2011 definitivamente não foi um bom ano para o cinema de animação. É recente a categoria de "melhor animação"  nas diversas premiações do cinema - que começou com sua inclusão no Oscar. Rango foi a escolha, praticamente unânime pelos prêmios concedidos ao cinema nos EUA,  como a melhor animação do ano passado. Já ouviu falar que a unanimidade é burra? Nesse caso, foi falta de opção mesmo. Talvez Rango tenha ganho todos os prêmios (com exceção do Globo de Ouro) por ser o único realmente bom, ao invés de o melhor. Durante 3 anos seguidos, a revista Time escolheu como o melhor filme do ano uma animação (Wall-E, Up-Altas Aventuras e Toy Story 3). Mas algo se perdeu no meio do caminho. A produção aumentou, mas a qualidade caiu. Aquele novo representado por filmes como Hércules (inovando no humor, com apelo para o público adulto) e Toy Story (animação digitalizada tão perfeita que parecia um filme 3D) já é passado. De uns 10 anos pra cá, um novo filme de animação (ao menos) é lançado a cada final de semana nos Estados Unidos, mas os grandes sucessos de bilheteria ultimamente tem ficado por conta de relançamentos como Rei Leão e A Bela e a Fera, que só comprovam que a fase de ouro da animação produziu o melhor e que não se repetirá. Vamos lembrar que até os anos 70 tínhamos somente a Disney, lançando um filme a cada ano. As bilheterias começaram a minguar depois de Mogli - o Menino Lobo. Foi somente no finalzinho dos anos 80 que a Disney se reinventou, e iniciou com A Pequena Sereia uma nova era da animação, prosseguindo com os hoje clássicos A Bela e a Fera, O Rei Leão, Aladdin e Hércules. O novo jeito de fazer animações para a garotada partiu de 2 simples premissas: 1) as crianças de hoje são muito exigentes - é preciso algo com muita qualidade  para lhes chamar a atenção e conquistar sua afeição; 2) criança não vai sozinha ao cinema - vai com pais, irmãos mais velhos, tios, avós - e esses precisam também ser conquistados. As animações passaram, então, a incluir humor e referências somente inteligíveis por um público adulto, que ia ao cinema por obrigação de acompanhar seu pimpolho, e se surpreendia gostando do que via e se divertindo até mais do que com seus filmes de "adultos". Paralelamente à Disney, vimos surgir a Pixar (que hoje pertence à Disney), inovando na técnica, com o seu primeiro sucesso Toy Story, seguido de Monstros S/A, Procurando Nemo, Os Incríveis, etc (quem não conhece algum ou todos eles?). O sucesso foi tanto que renomados diretores de filmes passaram a se aventurar na área, produzindo e experimentando na animação (não somente no tradicional "desenho animado", mas com outras técnicas - stop motion, por exemplo, aqueles filmes feitos com bonecos de massa ou outro material, e fotografados quadro-a-quadro). É o caso de Tim Burton (Batman, Alice), por exemplo, que dirigiu Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack. Na última fase desse boom da animação, ela chegou ao assim chamado cinema-de-arte, produções independentes para um público adulto e mais exigente - como é o caso do francês Persépolis e do israelense Valsa com Bashir. Demorou, mas até Spielberg, após atuar na produção de algumas delas, resolveu dirigir sua primeira animação, As Aventuras de Tintin. Nem ele deu sorte em 2011. As críticas não foram muito entusiasmadas e a bilheteria apenas razoável para o outrora "rei de Hollywood".

Um comentário:

  1. Muito bem Sid, ja gostei bastante desse inicio, espero me deleitar e viajar por aqui. Bjo

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