A Invenção de Hugo Cabret é surpreendente. Eu nunca imaginaria ver Martin Scorsese, famoso por seus filmes de mafiosos e gângsters, violentos e de humor negro, dirigir uma fábula tão visual e sensível. E Scorsese vai contando a história sem pressa, nos envolvendo aos poucos, até mostrar a que veio este Hugo Cabret. Este menino de olhos grandes, que faz de sua torre de relógio quase uma cabine de projecionista de cinema (aquele que vê o desenrolar da história - filme - de uma posição privilegiada) e ao mesmo tempo, ao longo do filme vai servir como uma pequena engrenagem de um relógio para modificar o curso da história. É óbvio que Hugo é uma grande homenagem ao poder de encantamento do cinema, e também ao pioneiro Georges Méliès (primeiro visionário do cinema). Acho que a melhor qualidade do filme é reproduzir aos muitos que nunca tinham ouvido falar de Méliès, como seus filmes eram feitos, com criatividade, inventividade e paixão, de uma forma totalmente artesanal. Mas Scorsese também presta seu tributo aos artistas em geral, que são esquecidos pelo tempo, e a suas obras perdidas pela fugacidade material da arte (que não somente atinge o celulóide - que dor saber que tantos filmes de Méliès foram derretidos e viraram saltos de sapato!).
Hugo é repleto de metáforas e referências. A própria estação ("casa" de Hugo) remete ao primeiro filme dos irmãos Lumière. De sua torre-relógio, Hugo observa para dentro da estação o microcosmo das vidas que circulam por ali, e através do grande relógio da fachada, observa a cidade-luz , Paris - afinal, o cinema só existe concretamente através da luz. É espetacular a sequencia onde Hugo e sua nova amiga Isabelle , fazem voar pelos ares os esboços guardados por Méliès - lembrando que a criação artística muitas vezes nasce em uma ideia, passa por um papel (roteiro, partitura, design arquitetônico), mas só ganha realmente vida através do talento e dedicação de seus executores. Também é óbvio porque Scorsese optou por fazer o filme em 3D (embora eu considere que teria o mesmo impacto se não o fosse). Com essa renovada tecnologia, que virou moda depois de Avatar, e que em Hugo beira a mais absurda perfeição possível, Scorsese quer que as novas audiências possam experimentar algo semelhante àqueles que assistiram à primeira exibição dos irmãos Lumière. Esta arte mais que centenária já teve sua morte decretada diversas vezes (com a televisão, com o video-cassete, com a TV a cabo, com a Internet), mas surpreendentemente, continua a encantar milhões mundo afora (ano passado, no Brasil, mais um recorde de venda de ingressos foi alcançado). Essa magia do cinema poucas vezes foi tão reverenciada como nesse filme. Por isso o capricho dedicado: os atores (com destaque para Asa Butterfield , o Hugo) , a fotografia, a espetacular direção de arte do mestre italiano Dante Ferreti, e o próprio uso do 3D. A Invenção de Hugo Cabret não é perfeito, e como um outsider na filmografia de Scorsese, nem tampouco o seu melhor filme, mas como todo filme feito com paixão, as qualidades superam em muito os defeitos. Talvez com o tempo você esqueça alguns detalhes da trama, mas com certeza, ao sair do cinema seus olhos terão gravado para sempre sequências visuais inesquecíveis.
Se você gostou de A Invenção de Hugo Cabret, talvez também goste destes filmes:
Hugo é repleto de metáforas e referências. A própria estação ("casa" de Hugo) remete ao primeiro filme dos irmãos Lumière. De sua torre-relógio, Hugo observa para dentro da estação o microcosmo das vidas que circulam por ali, e através do grande relógio da fachada, observa a cidade-luz , Paris - afinal, o cinema só existe concretamente através da luz. É espetacular a sequencia onde Hugo e sua nova amiga Isabelle , fazem voar pelos ares os esboços guardados por Méliès - lembrando que a criação artística muitas vezes nasce em uma ideia, passa por um papel (roteiro, partitura, design arquitetônico), mas só ganha realmente vida através do talento e dedicação de seus executores. Também é óbvio porque Scorsese optou por fazer o filme em 3D (embora eu considere que teria o mesmo impacto se não o fosse). Com essa renovada tecnologia, que virou moda depois de Avatar, e que em Hugo beira a mais absurda perfeição possível, Scorsese quer que as novas audiências possam experimentar algo semelhante àqueles que assistiram à primeira exibição dos irmãos Lumière. Esta arte mais que centenária já teve sua morte decretada diversas vezes (com a televisão, com o video-cassete, com a TV a cabo, com a Internet), mas surpreendentemente, continua a encantar milhões mundo afora (ano passado, no Brasil, mais um recorde de venda de ingressos foi alcançado). Essa magia do cinema poucas vezes foi tão reverenciada como nesse filme. Por isso o capricho dedicado: os atores (com destaque para Asa Butterfield , o Hugo) , a fotografia, a espetacular direção de arte do mestre italiano Dante Ferreti, e o próprio uso do 3D. A Invenção de Hugo Cabret não é perfeito, e como um outsider na filmografia de Scorsese, nem tampouco o seu melhor filme, mas como todo filme feito com paixão, as qualidades superam em muito os defeitos. Talvez com o tempo você esqueça alguns detalhes da trama, mas com certeza, ao sair do cinema seus olhos terão gravado para sempre sequências visuais inesquecíveis.
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