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007 - Operação Skyfall


          A série (ou, como se diz hoje, "franquia") dos filmes de 007 é a mais longa e bem-sucedida da história. São nada menos que 50 anos. Um filme de 007 é praticamente um gênero em si, que após tantos filmes já estabeleceu "o que se esperar de um filme de 007". A história dos filmes de 007 teve seus altos e baixos - talvez a pior fase tenha sido com Roger Moore, onde, na década de 80 as bilheterias minguaram e praticamente se predestinou o fim da série. 
             Com a refilmagem de Casino Royale, apresentando Daniel Craig como o novo 007, parecia que haviam rescussitado com vigor este ícone do cinema. O filme seguinte, Quantum of Solace, não entusiasmou nem os fãs nem a crítica, e novamente voltou a pairar no ar a dúvida sobre o futuro de 007.
             Para este novo filme a produção caprichou ao escalar a equipe. Ótimo roteiro, Sam Mendes (de Beleza Americana) como diretor, além de coadjuvantes de luxo, como Ralph Fiennes, e principalmente, Javier Bardem. Os vilões sempre foram um ponto alto dos filmes de 007, e Bardem veio adicionar à galeria um dos melhores, superando de longe o seu trabalho premiado em Onde os Fracos Não tem Vez. Se é possível, ainda, um 007 ser original, talvez em seu vilão esteja o toque de originalidade. Até hoje, os inimigos de James Bond eram doidos de carteirinha com propósitos sombrios de dominar o mundo, planejando maluquices intangíveis como destruir a lua com um canhão de raio-laser. Mr. Silva (Bardem) é o inimigo na trincheira, atuando "nas sombras", cria do próprio serviço britânico de espionagem, causando um grande alvoroço apenas atuando como um poderoso hacker, o que lhe confere uma desconfortável verossimilhança.





            Sam Mendes teve total liberdade para dirigir Skyfall, a mesma que o produtor executivo Spielberg havia lhe dado quando fez Beleza Americana. A maior contribuição que Mendes trouxe foi o diretor de fotografia Roger Deakins. As sequencias externas em Hong-Kong são visualmente deslumbrantes, com um emprego de luz e cores que traduzem a atmosfera da cidade dominada pelos grandes anúncios em neon. 
             Skyfall perde um pouco do ritmo quando se aproxima do final, principalmente na longa sequencia que se passa na propriedade, antes pertencente aos pais de Bond, que dá título ao filme. Podemos acusar esta sequencia pelas quase 2h30 de duração do filme, que poderia ter sido um pouco enxugada. Neste ponto, o brilhantismo da performance de Bardem e da estupenda sequencia de Hong Kong ficam para trás, infelizmente. Mas o resultado como um todo ainda fazem deste um dos melhores James Bond produzidos nas últimas gerações. 

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Conspiração Americana


   Talvez propositalmente - ainda herança de ditadura dos anos 60-70 - a disciplina de História foi subestimada em nossas escolas. Sabemos tão pouco sobre o passado do nosso país, o que dirá sobre a história de outros países e culturas ! Por isso, o filme Conspiração Americana se desenrola quase como uma ficção para nós, espectadores brasileiros, afinal sabemos muito pouco sobre o episódio aqui retratado. Todo mundo sabe que o presidente Lincoln foi assassinado, em um teatro, por um homem mais tarde identificado como sendo ele próprio um ator teatral. E o que mais? Provavelmente nada mais. Então, imagino que o filme pareça até mais interessante a um brasileiro que a um americano, pois de verdade não sabemos como essa história irá terminar. Cientes de que História não rende muito em bilheterias, o filme nem foi lançado nos cinemas, levando 2 anos para chegar às locadoras.
    Conspiração Americana não é o primeiro filme de Robert Redford, e nem o melhor. Ele já provou como diretor que pode produzir filmes realmente muito bons, como Gente como a Gente e Quiz Show.  Conspiração... não está no mesmo nível de realização, mas tem em comum com esses 2 um excelente roteiro, uma direção firme (embora aqui não muito inspirada) e excelentes atores para o filme uma experiência plenamente satisfatória. 
     Redford, para quem não sabe, sempre foi praticamente um ativista, defensor de vários ideais democratas e um ferrenho crítico do partido republicano. Além de ter criado e manter um festival de cinema em uma pequena cidade dos Estados Unidos (Sundance, uma espécie de Gramado americana), Redford atuou em defesa de causas ecológicas, feministas e dos negros. Por isso, a decisão de filmar o episódio do assassinato do presidente Lincoln e o julgamento que o sucedeu, envolvendo aqueles acusados de conspirar e tramar o assassinato, não pode ter surgido gratuitamente, como apenas mais um filme a dirigir. Há um recado claro para esses tempos de neurose terrorista pós-21 de setembro. 
     Se o resultado fica apenas dentro do mediano, numa perspectiva meramente cinematográfica, o cuidado com a produção e a oportuna "mensagem' democrática que a trama inspira já é suficiente para torná-lo uma visão quase obrigatória.

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Looper - Assassinos do Futuro


      Confesso que só me interessei em assistir Looper porque vi no site do MetaCritic (que reúne opinião dos internautas e críticos especializados) que o filme tinha conseguido a pontuação de 86 (no máximo de 100). O preconceito e , às vezes, um certo fastio sobre as produções corriqueiras podem nos afastar de filmes interessantes. O subtítulo brasileiro "Assassinos do Futuro" não ajuda a atrair um público interessado em filmes que vão além do feijão-com-arroz despejado toda semana nos cinemas, sendo apenas uma apelação comercial. 
        Já foram feitos tantos filmes sobre viagem no tempo que o assunto pode ser considerado até um sub-gênero dos filmes de ficção científica. Mas a abordagem é o que conta, porque o assunto pode tanto render um thriller de ação como Exterminador do Futuro ou uma comédia leve familiar, como  De Volta para o Futuro.  Looper se propõe a ser 2 coisas ao mesmo tempo, e consegue ser eficaz em ambas: divertir e fazer pensar. Dependendo do espectador, poderá usufruir de uma ou de outra, ou das 2 abordagens. 
    Num futuro não muito distante, o mundo não está assim tão diferente de hoje. Um pouco mais de tecnologia, mas também muita violência e pobreza, proporcionando, como hoje, muitas oportunidades aos "fora-da-lei". Joe (Gordon-Levitt) é um deles, vivendo uma tediosa vida sexo-drogas-assassinatos (e nenhum rock´n´roll). Gordon-Levitt, ajudado pela maquiagem, consegue imitar os trejeitos de sua personagem na versão "amanhã", ou seja, Bruce Willis. Mas, no final das contas, quem rouba a cena mesmo é o garoto Pierce Gagnon (como o menino com super-poderes, Cid). 
       
Bruce Willis e Joseph Gordon-Levitt num momento "eu sou você, amanhã"



     Looper é um típico filme-B americano, feito sem muita grana, mas por isso mesmo cheio de inventividade. Sua visão do futuro, no nível pictórico, é bem realista, sem a exuberância de produções requintadas como Blade Runner. Mas é na estrutura de sua narrativa que ele nos brinda com ideias interessantes, lembrando um pouco o que alguma séries de TV tem feito ultimamente, como J.J.Abrams, com Lost
       A questão de sempre dos filmes de viagem no tempo está lá: podemos mudar o futuro, alterando o presente? Para o filme a resposta é sim, mas exige um sacrifício sobre-humano, que na maioria das vezes somente o amor de uma mãe por um filho, ou de um homem por sua amada é capaz. É nesse componente fascinante da condição humana, alternadamente capaz do pior e do melhor, que o filme se destaca sobre os simples filmes de ação normalmente produzidos, onde temos os bonzinhos de um lado e os malvados de outro, numa formatação estereotipada. Em Looper as personagens são humanos. Ponto.