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O Fenômeno Intocáveis

   
     Na lista das 100 maiores bilheterias mundiais de todos os tempos, só encontrávamos 2 filmes não falados em inglês. A partir deste ano, mais um filme veio se juntar ao time: Intocáveis, filme francês de 2011 que se tornou um fenômeno mundial, já tendo arrecadado mais de 350 milhões de dólares - tornando-se a 9ª maior bilheteria mundial de 2012.
    Somente na França, foi visto por mais de 19 milhões de espectadores. Para se ter uma ideia, a população da França é hoje de pouco mais de 62 milhões de pessoas.  O filme brasileiro mais visto por aqui é ainda Tropa de Elite 2, que alcançou quase 11 milhões de espectadores no cinema, com a diferença que a população do Brasil é hoje de mais de 190 milhões de pessoas. Mas o sucesso do filme é mundial mesmo, e uma refilmagem americana já foi anunciada, provavelmente estrelada por Colin Firth, substituindo François Cluzet da versão original.

François Cluzet e Omar Sy em cena do filme
     Intocáveis tem estréia prevista no Brasil para 31 de agosto, sem título ainda definido. Espero que sua exibição nos cinemas não se limite somente às capitais. Isso vai depender do filme repetir aqui o sucesso que tem alcançado pelo mundo afora.

CURIOSIDADE: Omar Sy, que co-estrela o filme com François Cluzet, para surpresa de todos, venceu o prêmio de melhor ator no César 2012 (o Oscar da França), vencendo Jean Dujardin, de O Artista.

O Abrigo (Take Shelter)


       Há 2 filmes recentes que receberam no Brasil o nome de "O Abrigo". Um deles é um thriller de terror com Julianne Moore. Mas este O Abrigo, apesar do título e mesmo das sinopses que circulam pela Internet e na capa do DVD, está longe de ser um filme de terror. O filme virou uma lenda por ter sido produzido pela bagatela de 1 milhão de dólares, um valor irrisório se comparado aos orçamentos que ultrapassam a casa dos 100 milhões dos blockbusters americanos. Mesmo para os padrões do cinema brasileiro esta cifra parece inacreditável. Mas o diretor, também autor do roteiro, conseguiu a proeza filmando numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, utilizando em muitos cenas, como figurantes, a população local. 
        Tudo isso prova que uma boa história, bem dirigida e com bons atores não precisa de muita grana para render um bom filme. E é isso que O Abrigo consegue. Sua história é enxuta, bem desenvolvida, e aberta a muitas interpretações. Quem representa uma ameaça maior à família de Curtis (Shannon), a grande tempestade que ele profetiza em seus sonhos e visões ou seu comportamento, por ele mesmo reconhecido como esquizofrênico e psicótico?  Suas neuroses e paranóias, não condizem com o comportamento atual da sociedade americana, vendo terroristas em cada esquina, dos quais eles precisam se proteger ? É interessante ver nos extras do DVD a entrevista com Michael Shannon, onde ele expõe sua interpretação sobre o enigmático final. 

Michael Shannon como Curtis Laforche em O Abrigo
        Michael Shannon, que era a presença mais interessante em Foi Apenas um Sonho, pois em poucas cenas conseguir roubar a cena dos famosos Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, tem em O Abrigo sua melhor interpretação até agora. Todos os elogios que recebeu são merecidos. E sua co-protagonista, Jessica Chastain, marcou o ano de 2012 com nada menos que 9 filmes (além desse, esteve presente nos famosos A Árvore da Vida e Histórias Cruzadas, entre outros). 

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Marilyn, Glenn Close e as Domésticas Espanholas


7 DIAS COM MARILYN (My Week with Marilyn). O triste para um cinéfilo como eu é filme após filme criar  expectativas com filmes frustrantes. Por isso, quando algum filme como este Marylin, supera essa expectativa é motivo de grata surpresa. Porque embora a atuação de Michelle Williams tenha sido bastante elogiada e premiada, a mesma atenção não foi dedicada ao filme em si, o que é uma injustiça. É claro que sua interpretação é espetacular mesmo. Muitas pessoas à época da produção do filme disseram que ela era uma escolha errada, que pouco se parecia fisicamente com Marilyn Monroe. Mas Williams calou a boca de todos, mostrando o quanto estavam errado. Se ela ficou ou não parecida com a verdadeira Marilyn torna-se irrelevante, porque ela soube captar a essência e compor sua personagem de maneira esplêndida. Kenneth Branagh também não se parece com Laurence Olivier, e sua performance é igualmente excelente. O que torna o filme extremamente interessante é não ser uma cinebiografia, com a intenção de contar a vida de Marilyn, mas sim estar focado como diz o título, em uma semana apenas do seu breve relacionamento com o inglês Colin Clark , autor do livro que inspirou o filme.



ALBERT NOBBS. Muitos filmes já foram feitos sobre homens se passando por mulher (Tootsie, Quanto Mais Quente Melhor) ou mulheres se passando por homem (Meninos Não Choram, Yentl), mas a quase totalidade deles sempre abordaram o assunto de forma leve, cômica. Albert Nobbs é um drama, e parece que perdeu a chance de explorar com mais profundidade essa condição da personagem principal. Glenn Close praticamente escondida por trás de uma pesada maquiagem para deixá-la com feições masculinas tem pouco espaço para a interpretação, estando longe do que sabemos que ela é capaz (sua melhor interpretação continua sendo como Madame de Tourvel, em Ligações Perigosas), e sendo praticamente ofuscada por uma composição superior na interpretação de Janet McTeer. Glenn Close apostou alto no filme, colaborando no roteiro e na produção, mas resta a impressão de que o assunto merecia um tratamento mais profundo da personagem, o que poderia ter rendido uma história bem mais interessante.





AS MULHERES DO 6º ANDAR (Les Femmes du 6ème Étage). O "sexto" andar do título é na verdade o que chamaríamos de sótão, e é onde moram as domésticas de um condomínio da Paris na década de ´60, todas elas espanholas, prestando serviços aos patrões que habitam os andares abaixo. Um deles, Sr. Joubert vai romper o distanciamento patrão-empregado e passa a mudar as condições da vida dessas empregadas espanholas, que por sua vez, é claro, irão influenciar e mudar para sempre a vida tediosa do Sr. Joubert. Mulheres do 6º Andar é uma simpática e agradável comédia, que se dá ao luxo de ter como coadjuvante a estrela dos filmes de Almodóvar, Carmem Maura.